23 outubro 2016

Vivem dizendo pra gente que não podemos viver nem no passado nem no futuro. Se vivemos no passado as chances de cairmos em tristeza profunda é grande, se vivermos no futuro ansiedade bate na porta com toda a força e então nos resta viver no hoje, o tal hoje tão incerto, tão incompleto. Se algo que aconteceu no passado foi bom a gente se agarra naquilo, se algo no passado foi ruim aquilo se agarra na gente, é uma eterna luta interna de querermos ir e querermos ficar.

Tem dias que o que eu mais queria era voltar pra lá, encontrar algumas pessoas que me faziam tão feliz, mas eu sei que hoje definitivamente elas não se encaixam mais em mim porque se encaixassem estariam presente, aqui e hoje. Eu não queria que elas tivessem ido embora, eu não queria ter ido embora, mas é sempre tão difícil lidar com a rejeição né? É difícil aceitar que elas não querem mais a gente por perto e nós não podemos fazer absolutamente nada pra mudar isso, apenas seguir o nosso rumo, talvez por isso seja tão difícil deixar ir. Lá era bom, estava todo mundo feliz e amando, estava todo mundo sorrindo (ou pelo menos é a sensação que a gente tem quando tudo muda). A gente não sabe quando tudo se perdeu, ou sabe mas acontece rápido.

Eu tenho uma mania meio bizarra de quando estou nos momentos mais felizes com pessoas que eu amo, me divertindo, pode ser com amigos ou namorado eu sempre olho pro céu e imagino minha vida fora daquele momento, imagino o futuro sem ele ou sem aquelas pessoas e me dou conta que preciso aproveitar cada pedacinho daquele milésimo de dia porque daqui há algum tempo tudo aquilo não vai mais existir. Tipo aquele dia que a gente tava sentado na varanda se balançando na cadeira, tinha estrelas no céu e tava tudo silencioso, eu olhei e vi o sorriso do jeito que eu gostava e eu pensei: como sou sortuda, mas vai ter um dia que eu não vou mais estar aqui, eu preciso dar um beijo no teu pescoço agora. E assim foi e agora me lembro daquele dia. Não sei se é saudável ficar pensando assim, mas tudo é tão passageiro e tudo se desfaz. Só fica na memória e a gente tem que saber exatamente o que a gente quer guardar e aquele momento era um que eu queria ter eternizado.

É dificil imaginar uma vida nova sem algumas peças que a gente acolheu tão verdadeiramente no nosso caminho. Mas acho que no fundo a beleza da vida está nisso, a gente não ter controle sobre o outro, (não vai dar pra guardar as pessoas em potes e dizer que elas precisam ficar pra sempre) a gente poder experimentar diversos sentimentos ao longo do caminho, se encontrar e se perder, renascer e achar que vai morrer de vez, sentir o forte impacto da paixão e o forte impacto da rejeição, olhar pro passado e ver que passou – sendo ele bom ou ruim – olhar pro futuro e ver que ele vem mesmo que você não queira, você vai ter que seguir em frente, com saudade ou sem saudade, com vontade ou sem vontade, você vai ter que seguir em frente, sempre, independente de quem passou ou vai passar. Afinal é você quem sempre vai estar.

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  • Carla @ 15/02/2017 - 21:50

    Oi! Meu Deus mulher, eu tenho que me expressar sobre esse texto: ISSO É EXATAMENTE O QUE EU PRECISO PRA APRENDER A VIVER MELHOR, SEM NOSTALGIA RUIM.
    Nossa, eu realmente sofro muito com perdas de pessoas na minha vida, eu ainda acho, internamente, que as pessoas tem que ficar comigo, na minha vida, pra sempre, mas na verdade, ninguém é obrigado. Ok, é difícil aceitar, mas outras pessoas virão e vou ser feliz com a presença delas também, não é mesmo?
    Você escreve muito bem, adorei o tema! Beijão <3

  • Thamy Lima @ 16/02/2017 - 09:29

    AAAAH, que postzão lindo da porra!
    Acho que é bem assim mesmo, a gente sempre lembra de quem já fez parte da nossa vida né? Mesmo que hoje em dia elas não façam tanto sentido no nosso dia a dia. Mas é olhar pelo lado bom, ver que a gente aprendeu e seguir em frente.