20 junho 2017

Sempre fico me perguntando porque é tão difícil se reconhecer. Deveria ser a coisa mais fácil do mundo, se olhar no espelho e ver quem somos, de fato. Saber a nossa própria essência, nossos princípios e nossos valores, a questão é que a gente até sabe – guardado lá no fundo, mas o mundo fica o tempo inteiro de alguma forma nos apagando. Nós nunca somos suficientes e de alguma forma eu me sinto o tempo inteiro cansada. Eu sei que a cobrança existe e é diária, ela massacra quem somos de verdade e a gente tem que lutar todo dia pra dizer: Ei, eu estou aqui. Existe algo bom em mim. É um trabalho árduo cuidar da própria auto-estima, a gente parece tão bem no instagram, a vida é tão bela nas redes sociais que por diversas vezes me pergunto: onde é que nós realmente estamos? Quem somos no espelho do banheiro da nossa própria casa?

Postei no meu facebook essa semana um pequeno texto que eu senti vontade de dizer pra mim mesma e pra quem eu conheço de que nós estamos indo beme eu só consigo acreditar nisso depois de uma grande imersão espiritual pra finalmente conseguir ver alguma coisa – que nós estamos trabalhando pra caramba pelo nosso futuro, que estamos plantando coisas boas, que nos importamos com as pessoas, que ignoramos coisas más que outras pessoas fazem a gente, que por mais que – não pareça – o nosso trabalho está sim fazendo diferença, que somos vencedores só em conseguirmos levantar de manhã com tanta ansiedade e críticas externas e que estamos melhorando a nossa vida sim – é que todo mundo tem que parecer super-herói sempre né?

Temos que estar o tempo inteiro sorrindo e dizendo que estamos cumprindo nossas metas e cheios de objetivos, planos e sonhos, ninguém nunca quer se mostrar desmotivado e triste com o rumo que estamos tomando, quando na maioria no íntimo todos nós estamos um pouco tristes com esse rumo. Estamos tão preocupados em parecer alguma coisa, em cumprir grandes coisas que nem comemoramos mais nada, nem apreciamos mais pequenos momentos, nem comemoramos mais a formatura porque não temos pós, não comemoramos a pós porque não temos mestrado, não comemoramos o namoro porque não nos casamos e é sempre o futuro, quase nunca o presente. Nem lembramos mais que só EXISTIR já é um puta motivo de comemoração. Se você não se sente assim amiga(o), GOOD FOR YOU acredite que você tá indo maravilhosamente bem!

É tão fácil olhar pro outro e perceber que ele ‘está super bem’ mesmo que não seja essa a realidade, difícil é olhar pra nós mesmos e perceber o tanto de talento que a gente tem, porque cada um de nós temos um talento único – mesmo que você não saiba que talento é esse agora nesse momento, tudo bem sabe? Você vai descobrir.

Mesmo que o mundo esteja tão doido, existem coisas boas nele e existem coisas boas dentro da gente, cada um de nós tem tanto pra contribuir! Problema é que nos perdemos no meio do caminho, começamos a valorizar coisas que são descartáveis, começamos a mudar o foco, a perder a sensibilidade. Eu não quero perder a sensibilidade, não quero perder a minha essência – porque é quando a gente perde a essência que viramos meros escravos emocionais de qualquer coisa. Tudo está bom pra quem se deixa levar pelo mundo e não coloca a sua autenticidade e verdade pra jogo. Eu não sei se esse texto fez algum sentido, mas eu espero que hoje você pare e se reconheça.

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